Porque é que perdemos a paciência com quem mais amamos?

Porque é que perdemos a paciência com quem mais amamos? - Emoty Games

O leite entornado ao pequeno-almoço. A mochila que continua por arrumar apesar de já ter sido pedido três vezes. A birra precisamente no momento em que é preciso sair de casa. O conflito entre irmãos ao final de um dia de trabalho.

Nenhuma destas situações é extraordinária. Pelo contrário, fazem parte da rotina de praticamente todas as famílias.

E, no entanto, basta um destes momentos para que, por vezes, a paciência desapareça quase sem darmos conta. A voz sobe de tom, a resposta sai mais brusca do que gostaríamos e, pouco depois, instala-se outra emoção que muitos pais conhecem bem: a culpa.

"Porque é que reagi assim?"

"Porque é que perdi a paciência por causa de uma coisa tão pequena?"

Esta é uma pergunta que muitos pais fazem a si próprios. E, frequentemente, chegam a uma conclusão dura: "Devia ter tido mais paciência."

No entanto, talvez a explicação não esteja na falta de paciência… talvez esteja na sobrecarga.

Ser pai ou mãe implica tomar centenas de pequenas decisões todos os dias. Gerir horários, refeições, trabalho, tarefas domésticas, preocupações financeiras, necessidades emocionais dos filhos, responsabilidades profissionais e, muitas vezes, ainda encontrar espaço para cuidar da relação, da família e de nós próprios. Quando esta exigência se prolonga no tempo, o sistema nervoso também se desgasta.

É precisamente por isso que um adulto emocionalmente sobrecarregado tem mais dificuldade em manter a calma, pensar com clareza e responder da forma como gostaria. Não por ser menos competente, menos paciente ou menos dedicado. Mas porque ninguém consegue oferecer continuamente regulação emocional quando os seus próprios recursos se estão a esgotar.

Está na altura de começarmos a olhar para a paciência de outra forma. Não como uma característica que algumas pessoas têm e outras não, mas como um recurso que também precisa de ser cuidado. Antes de ajudarmos uma criança a regular as suas emoções, existe um adulto cujo sistema nervoso também precisa de atenção.

 

A paciência não é infinita: o que acontece ao nosso cérebro quando estamos sobrecarregados?

Quando perdemos a paciência, é comum pensarmos que falhámos enquanto pais. Que deveríamos ter respirado fundo, contado até dez (ou cem…) ou respondido de forma mais calma. A reação é frequentemente interpretada como um problema de personalidade ou de competência: "Não fui suficientemente paciente."

Mas a ciência conta-nos uma história diferente.

A capacidade de manter a calma, controlar os impulsos e responder de forma ponderada depende da autorregulação, um conjunto de processos cognitivos e emocionais que nos permite gerir pensamentos, emoções e comportamentos perante situações exigentes. E esta capacidade não é inesgotável.

Ao longo do dia, o nosso cérebro vai sendo continuamente solicitado. Tomamos decisões, resolvemos problemas, lidamos com imprevistos, gerimos conflitos, alternamos entre tarefas, respondemos a mensagens, conciliamos trabalho e família. A tudo isto juntam-se fatores como a privação de sono, a carga mental, as preocupações financeiras ou a sensação permanente de falta de tempo.

Embora cada um destes fatores possa parecer pequeno quando considerado isoladamente, o seu efeito acumulado tem um impacto significativo no funcionamento do nosso sistema nervoso.

O neurocientista Bruce McEwen descreveu este fenómeno através do conceito de carga alostática (allostatic load): o desgaste que o organismo sofre quando permanece exposto a níveis elevados de stress durante longos períodos. Quanto maior é essa carga, mais difícil se torna recuperar e responder de forma flexível aos desafios do quotidiano.

É por isso que, muitas vezes, não é o brinquedo espalhado pela sala nem a birra do final do dia que desencadeiam a explosão. Esses acontecimentos são apenas o último estímulo de um sistema nervoso que já vinha a funcionar perto do seu limite.

Esta ideia é também consistente com o conceito de janela de tolerância, desenvolvido pelo psiquiatra Daniel Siegel. Quando nos encontramos dentro dessa janela, conseguimos pensar com clareza, refletir antes de agir, manter a empatia e adaptar-nos às diferentes situações. Porém, quando o stress se prolonga e os recursos começam a esgotar-se, essa janela torna-se mais estreita.

Nessas circunstâncias, basta um pequeno acontecimento para que o cérebro interprete a situação como uma ameaça. A resposta deixa de ser guiada pela reflexão e passa a ser dominada por mecanismos mais automáticos de sobrevivência.

A Teoria Polivagal, proposta por Stephen Porges, ajuda também a compreender este processo. Quando o sistema nervoso percebe que estamos em segurança, torna-se mais fácil comunicar, brincar, cooperar e regular emoções. Mas quando interpreta o contexto como excessivamente exigente ou ameaçador (mesmo que essa ameaça seja apenas o resultado da acumulação de stress) o organismo entra em modo de proteção. Nesses momentos, ficamos mais reativos, menos pacientes e com menor capacidade para escutar, refletir ou responder com calma.

Talvez por isso seja tão importante deixarmos de interpretar a perda de paciência apenas como uma falha de caráter. Na maioria das vezes, ela é também um sinal de que o nosso sistema nervoso está a pedir descanso, recuperação e cuidado.

Vale a pena reforçar que isto não significa que deixemos de ser responsáveis pelas nossas reações. Somos sempre responsáveis pela forma como tratamos os nossos filhos. Mas compreender aquilo que acontece no nosso cérebro permite-nos substituir a culpa por uma pergunta muito mais útil: "De que é que o meu sistema nervoso precisa neste momento para voltar a sentir-se seguro?"

Antes de sermos pais, mães ou educadores, somos seres humanos. E nenhum sistema nervoso consegue cuidar continuamente dos outros sem, de vez em quando, precisar também de ser cuidado.

 

Quando o adulto perde a capacidade de co-regular

Ao longo dos últimos artigos do blog, temos falado várias vezes sobre co-regulação: a capacidade que o adulto tem de emprestar o seu sistema nervoso à criança, ajudando-a a recuperar a calma quando ainda não o consegue fazer sozinha.

Mas existe uma condição essencial para que isso aconteça: o adulto precisa de ter recursos emocionais disponíveis, precisa de conseguir manter um nível suficiente de estabilidade para acolher a emoção da criança sem ser completamente absorvido por ela.

Quando estamos emocionalmente sobrecarregados, esta capacidade diminui.

É por isso que, em determinados dias, conseguimos responder a uma birra com serenidade e curiosidade, enquanto noutros reagimos de forma brusca perante exatamente o mesmo comportamento. A diferença não está na criança. Muitas vezes está na disponibilidade emocional do adulto naquele momento.

Esta ideia é particularmente importante porque nos ajuda a compreender que a co-regulação não é apenas uma competência relacional. É também um processo biológico.

Os seres humanos regulam-se em relação uns aos outros. Desde o nascimento, o sistema nervoso da criança procura sinais de segurança no adulto: o tom de voz, a expressão facial, o ritmo dos movimentos, a postura corporal ou a previsibilidade da relação. Estes sinais ajudam o cérebro infantil a perceber se está perante um contexto seguro ou ameaçador.

Quando o adulto está em estado de elevada ativação fisiológica (cansado, ansioso, irritado ou emocionalmente esgotado) torna-se muito mais difícil transmitir essa sensação de segurança. E o adulto continua a amar a criança e a querer responder de forma diferente, mas o próprio organismo está ocupado a tentar gerir os seus recursos. E é precisamente por isso que, por vezes, basta uma pequena contrariedade para desencadear uma resposta desproporcionada. O conflito não começa naquele momento. Apenas se torna visível.

A investigação em neurociência interpessoal, desenvolvida por autores como Daniel Siegel, mostra que os estados emocionais são profundamente influenciados pelas relações. As emoções regulam-se em contexto de ligação e segurança, e essa capacidade depende tanto da criança como do adulto. A co-regulação é, por isso, um processo bidirecional: embora o adulto seja a principal figura reguladora, também é continuamente afetado pelas emoções, pelo comportamento e pelas necessidades da criança.

Uma das ideias mais importantes da educação emocional e, ao mesmo tempo, uma das menos faladas é esta: para ajudar uma criança a regular-se, o adulto precisa primeiro de reconhecer o estado do seu próprio sistema nervoso.

Isto não implica ser um pai ou uma mãe sempre tranquilos. Essa expectativa não é realista. Implica, isso sim, desenvolver autoconsciência suficiente para perceber quando os próprios recursos estão a diminuir e procurar formas de os recuperar antes que essa falta fale mais alto.

 

Os sinais de que a nossa "bateria emocional" está quase vazia

A sobrecarga emocional raramente aparece de um dia para o outro. Na maioria das vezes, instala-se de forma silenciosa, acumulando-se entre noites mal dormidas, dias demasiado cheios, preocupações constantes e a sensação de que estamos sempre a responder às necessidades de toda a gente antes das nossas.

O problema é que nem sempre reconhecemos os sinais. Habitualmente só percebemos que estamos no limite quando já respondemos de uma forma que não queríamos, quando gritámos mais alto do que gostaríamos ou quando terminamos o dia com a sensação de que falhámos enquanto pais.

Mas o nosso sistema nervoso costuma dar vários avisos antes de chegar a esse ponto.

Um dos primeiros sinais é a diminuição da tolerância às pequenas contrariedades. Aquilo que, noutro dia, seria apenas mais um contratempo, passa a parecer insuportável. O leite derramado, o material escolar esquecido, a discussão entre irmãos ou uma pergunta repetida várias vezes desencadeiam uma irritação desproporcional à situação.

Também é frequente sentir que o barulho se torna excessivo. A televisão ligada, as conversas ao mesmo tempo, os brinquedos espalhados pela casa ou as solicitações constantes da família começam a ser vividos como uma sobrecarga sensorial. O corpo permanece em estado de alerta e qualquer estímulo adicional parece demasiado.

Muitos pais descrevem ainda uma sensação de impaciência permanente. Respondem antes de pensar, interrompem com facilidade, têm dificuldade em brincar ou em estar verdadeiramente presentes. Apesar de saberem que ainda gostam desses momentos, a energia mental necessária para os viver já está praticamente esgotada.

Outro sinal menos evidente é a culpa constante. Depois de um dia particularmente difícil, muitos adultos entram num ciclo desgastante: perdem a paciência, sentem culpa por terem perdido a paciência, prometem a si próprios que no dia seguinte será diferente e, sem oportunidade para recuperarem verdadeiramente, repetem o mesmo padrão dia após dia.

É precisamente este ciclo que Isabelle Roskam e Moaïra Mikolajczak, duas das principais investigadoras do burnout parental, descrevem como um processo de esgotamento progressivo. O burnout parental não surge apenas porque existem muitas tarefas para fazer. Surge quando as exigências sentidas pelos cuidadores ultrapassam, durante demasiado tempo, os recursos de que dispõem para lhes responder.

Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja "Como é que posso ter mais paciência?", mas outra bastante diferente: "Há quanto tempo não recupero verdadeiramente?"

Porque descansar não significa apenas dormir uma noite inteira. Recuperar implica voltar a sentir que existe espaço para respirar, para pensar, para estar no próprio corpo e para responder à vida sem estarmos permanentemente em modo de sobrevivência.

Aprender a reconhecer estes sinais não é um exercício de pessimismo nem um convite à desesperança. É, pelo contrário, um exercício de consciência. Quanto mais cedo identificamos que a nossa bateria emocional está a diminuir, maior é a probabilidade de conseguirmos cuidar dela antes de chegarmos ao esgotamento.

 

Cuidar de quem cuida não é egoísmo

Durante muito tempo, a ideia de um "bom pai" ou de uma "boa mãe" esteve associada à capacidade de estarmos sempre disponíveis. Estar presente, responder a todas as necessidades, dar prioridade aos filhos e colocar-se quase sempre em segundo plano.

Embora esta dedicação faça, de certa forma, parte da parentalidade, existe um risco quando se transforma num estado permanente de esquecimento de si próprio.

Nenhum ser humano consegue cuidar continuamente dos outros sem cuidar, em algum momento, de si, porque o próprio organismo precisa de recuperar os recursos que vai gastando diariamente.

Curiosamente, muitos pais compreendem facilmente esta ideia quando falam dos filhos. Sabem que uma criança cansada terá mais dificuldade em regular as emoções. Que uma criança com fome ficará mais irritável. Que uma criança sobre-estimulada precisará de descanso e previsibilidade.

No entanto, raramente aplicam o mesmo princípio a si próprios! Esperam conseguir manter a calma depois de várias noites mal dormidas. Exigem de si uma disponibilidade emocional constante, mesmo quando o corpo dá sinais claros de exaustão. Sentem culpa por precisarem de silêncio, de descanso ou simplesmente de alguns minutos sem solicitações.

Mas o sistema nervoso dos adultos obedece às mesmas leis biológicas. Também ele precisa de pausas. Também ele beneficia de movimento, de sono, de relações seguras e de momentos em que deixa de estar permanentemente responsável por alguém.

É precisamente aqui que o autocuidado ganha um significado diferente daquele que tantas vezes lhe é atribuído. Não estamos a falar de encontrar tempo para um spa ou para um fim de semana longe de casa (embora isso possa ser importante para algumas pessoas). Falamos de pequenas experiências quotidianas que permitam ao sistema nervoso recuperar alguma sensação de segurança e equilíbrio.

Por vezes, isso significa pedir ajuda sem sentir que está a falhar enquanto pai ou mãe. Noutras ocasiões, significa aceitar que nem tudo ficará feito naquele dia. Pode significar dar um passeio, respirar alguns minutos antes de entrar em casa depois do trabalho, conversar com alguém de confiança ou simplesmente permitir-se descansar sem transformar esse descanso numa fonte de culpa.

Do ponto de vista da psicomotricidade, esta ideia faz ainda mais sentido. O nosso estado emocional não existe separado do corpo. A tensão acumulada, a respiração superficial, o ritmo acelerado, a privação de sono ou a ausência de movimento influenciam diretamente a forma como pensamos, sentimos e reagimos. Antes de conseguirmos regular as emoções, é muitas vezes o corpo que precisa de recuperar uma sensação de estabilidade.

É por isso que cuidar de nós não deve ser visto como um ato individualista. É também uma forma de proteger a relação com os filhos.

Um adulto que encontra pequenos espaços para recuperar não se torna um pai ou uma mãe perfeita. Continua a sentir cansaço, frustração e impaciência. Mas aumenta a probabilidade de responder com presença em vez de reagir em piloto automático.

E, por outro lado, cuidar de quem cuida também não devia ser visto como um ato que retira tempo às crianças. É também o que permite criar as condições para continuar a cuidar delas de forma suficientemente segura, disponível e emocionalmente presente.

 

Pais suficientemente bons

Já vimos que depois de um dia particularmente difícil, muitos pais deitam-se com a sensação de que falharam. Lembram-se do momento em que levantaram a voz, da resposta mais brusca do que gostariam ou da impaciência que não conseguiram controlar. E, quase sempre, a culpa instala-se rapidamente.

Mas existe uma ideia profundamente tranquilizadora na psicologia do desenvolvimento: as crianças não precisam de pais perfeitos.

O pediatra e psicanalista Donald Winnicott introduziu o conceito de good enough parent – o "pai suficientemente bom". Com esta expressão, manteve a importância da parentalidade e conseguiu, ao mesmo tempo, aliviar o peso da perfeição. Winnicott defendia que o desenvolvimento saudável não depende de adultos que acertam sempre. Depende de adultos suficientemente disponíveis, capazes de responder às necessidades da criança na maior parte das vezes e, sobretudo, de reparar a relação quando algo corre menos bem.

Esta ideia continua hoje a ser apoiada pela investigação sobre vinculação. As relações seguras não se constroem pela ausência de conflitos, de frustração ou de falhas. Constroem-se pela capacidade de regressar à ligação depois desses momentos.

O trabalho do psicólogo Edward Tronick, conhecido pela experiência Still Face, mostrou precisamente que as interações entre adultos e crianças estão longe de ser perfeitamente sincronizadas. Aliás, os desencontros são frequentes. O que faz a diferença para o desenvolvimento emocional não é evitá-los, mas conseguir repará-los.

Isto muda profundamente a forma como olhamos para os momentos em que perdemos a paciência. Uma explosão isolada não define uma relação. O que verdadeiramente influencia a criança é aquilo que acontece depois.

Quando um adulto consegue aproximar-se, reconhecer o que aconteceu e dizer, por exemplo, "Hoje gritei contigo e peço desculpa por isso. Estava muito cansado, mas isso não justifica a forma como falei contigo. Vamos tentar outra vez, pode ser?", está a ensinar muito mais do que um pedido de desculpa. Está a ensinar responsabilidade e humildade. Está a mostrar que todas as relações passam por momentos difíceis e que esses momentos podem ser corrigidos e ultrapassados.

Esta reparação tem também um enorme valor emocional para a criança. Mostra-lhe que os conflitos não significam o fim da relação. Que, por vezes, acabamos por magoar alguém, mas assumimos essa responsabilidade e reconstruímos a ligação. São aprendizagens que, mais tarde, irão influenciar a forma como a própria criança viverá as suas amizades, relações amorosas e futuras experiências de parentalidade.

Um dos maiores presentes que podemos oferecer aos nossos filhos não é a imagem de um adulto que nunca falha, é precisamente a experiência de crescer ao lado de um adulto que reconhece as suas falhas, aprende com elas e regressa à relação.

 

Conclusão

Perder a paciência não significa, por si só, que sejamos maus pais. Significa, muitas vezes, que somos seres humanos a tentar responder a exigências que, por vezes, ultrapassam os recursos de que dispomos naquele momento.

A educação emocional das crianças começa, sem dúvida, na relação que constroem com os adultos. Mas essa relação não depende da perfeição. Depende da presença, da capacidade de reparação quando falhamos e da consciência de que também o nosso sistema nervoso precisa de ser cuidado.

Talvez seja esta uma das evidências mais importantes que a ciência nos deixa sobre a parentalidade: as crianças não precisam de adultos que nunca se irritam, que nunca se cansam ou que nunca levantam a voz. Precisam de adultos que consigam reconhecer os seus limites, pedir ajuda quando necessário, recuperar dos momentos mais difíceis e regressar à relação.

Porque é precisamente dessa forma que lhes mostramos algo essencial: todos nós temos emoções, todos nós chegamos ao limite em alguns momentos e todos nós podemos aprender a reparar aquilo que fazemos quando isso acontece.

Cuidarmos de nós cria condições para estarmos verdadeiramente disponível quando eles mais precisam.

Por isso, da próxima vez que sentir a paciência a desaparecer, em vez de pensar "Porque é que não consegui manter a calma?", experimenta perguntar: "Como está o meu sistema nervoso hoje?"

A resposta poderá não resolver imediatamente o momento difícil. Mas pode ser o primeiro passo para substituir a culpa por compreensão e para cuidares de ti com a mesma empatia que procuras oferecer aos seus filhos.

 

FAQ

É normal perder a paciência com os filhos?

Sim. Todos os pais perdem a paciência em determinados momentos, sobretudo quando estão sujeitos a níveis elevados de stress, privação de sono ou sobrecarga emocional. O importante não é nunca falhar, mas reconhecer esses momentos, reparar a relação quando necessário e procurar cuidar também da própria saúde emocional.

Porque é que tenho menos paciência com os meus filhos do que com outras pessoas?

Porque a parentalidade exige uma disponibilidade emocional constante. Em casa acumulam-se cansaço, carga mental, preocupações e múltiplas exigências ao longo do dia. Quando os recursos emocionais diminuem, torna-se mais difícil manter a autorregulação, especialmente nas relações mais próximas.

O que é a co-regulação e porque depende dos pais?

A co-regulação é o processo através do qual um adulto ajuda uma criança a regular as suas emoções através da sua presença, voz, comportamento e disponibilidade emocional. No entanto, para conseguir co-regular, o adulto precisa também de ter recursos emocionais suficientes para manter a calma e transmitir segurança.

Como posso recuperar a minha "bateria emocional"?

Não existe uma única estratégia. Dormir o suficiente, reduzir a carga mental sempre que possível, pedir ajuda, cuidar do corpo, fazer pausas e manter relações de apoio são formas importantes de ajudar o sistema nervoso a recuperar. Pequenos momentos de descanso consistentes tendem a ser mais eficazes do que esperar por uma grande pausa ocasional.

Os meus filhos ficam prejudicados se eu perder a paciência?

Perder a paciência ocasionalmente não compromete, por si só, o desenvolvimento emocional de uma criança. O mais importante é aquilo que acontece depois. Quando o adulto reconhece o que aconteceu, repara a relação e mostra disponibilidade para recomeçar, está também a ensinar responsabilidade, empatia e segurança relacional.

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